Juros abusivos: como saber se o seu empréstimo ou cartão cobra demais
Resumo rápido
- Não existe um limite fixo de juros para bancos, mas o STJ considera abusiva a taxa muito acima da média de mercado divulgada pelo Banco Central.
- No cartão, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar de 100% da dívida original (Lei 14.690/2023).
- O ponto de partida é descobrir a sua taxa mensal e compará-la com a média da mesma modalidade, na mesma época.
"Os juros estão altos" é uma frase que quase todo mundo com dívida já disse. Mas alto não é o mesmo que abusivo. Para saber se há algo a questionar, é preciso comparar a sua taxa com a referência certa.
Existe limite de juros para banco?
Não existe um número fixo. Os bancos não estão presos ao limite de 12% ao ano da antiga Lei de Usura, e o Supremo já confirmou isso. Mas isso não quer dizer que vale tudo.
O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp 1.061.530 em recurso repetitivo, fixou que os juros podem ser considerados abusivos quando ficam muito acima da taxa média de mercado para aquela modalidade, analisando cada caso. Nas decisões, é comum ver taxas uma vez e meia, o dobro ou o triplo da média sendo consideradas abusivas.
Como descobrir a sua taxa de juros
Procure no contrato a taxa de juros mensal e o Custo Efetivo Total (CET). O CET inclui, além dos juros, tarifas, seguros e impostos embutidos no empréstimo, e é o número mais honesto para comparar.
Se só tiver a taxa anual, dá para converter. Uma taxa de 8% ao mês, por exemplo, equivale a cerca de 151,8% ao ano, porque os juros incidem sobre juros: 1,08 elevado a 12 dá 2,518.
Como comparar com a média do Banco Central
- No site do Banco Central, procure as taxas de juros por modalidade de crédito.
- Escolha a modalidade certa: crédito pessoal não consignado, consignado, financiamento de veículo, cheque especial, cartão rotativo etc.
- Use a média da época em que o contrato foi assinado, não a de hoje.
- Compare com a taxa do seu contrato. Quanto maior a distância, mais forte o indício de abuso.
Meus juros são abusivos?
A calculadora gratuita do SOS Dívidas compara a sua taxa com a média de mercado e mostra quanto você pode estar pagando a mais.
Comparar a minha taxa Ir para o SOS FinanciamentoO teto dos juros do cartão de crédito
Desde janeiro de 2024, pela Lei 14.690/2023, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura do cartão não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida. Se você deixou R$ 1.000 no rotativo, o total de juros e encargos cobrados sobre esse valor não pode passar de R$ 1.000.
Se a fatura mostra uma dívida que cresceu mais do que o dobro do valor original, vale conferir mês a mês.
Outras cobranças que costumam vir embutidas
- Seguro prestamista incluído sem você escolher. A venda casada é proibida pelo CDC, art. 39, I.
- Tarifas de cadastro e de avaliação cobradas em duplicidade.
- Títulos de capitalização vendidos junto com o empréstimo.
O que fazer se os juros forem abusivos
- Junte o contrato, os extratos e os comprovantes de pagamento.
- Faça o cálculo revisional, comparando o que foi cobrado com o que seria cobrado à taxa média.
- Reclame no SAC e na Ouvidoria do banco, pedindo a revisão e anexando o cálculo.
- Sem solução, registre no Banco Central e no consumidor.gov.br. O Procon também recebe reclamações.
Perguntas frequentes
Posso parar de pagar se os juros forem abusivos?
Não é recomendável. Parar de pagar gera multa, juros de atraso e negativação. O caminho é pedir a revisão enquanto mantém os pagamentos, ou renegociar.
Assinei o contrato. Ainda posso questionar?
Sim. Ter assinado não impede o questionamento de cláusulas abusivas, conforme o Código de Defesa do Consumidor.
Qual é a diferença entre juros e CET?
Os juros são só o preço do dinheiro. O CET soma juros, tarifas, seguros e impostos, e mostra o custo real do empréstimo.
Conteúdo informativo, atualizado em 29 de setembro de 2026 com base na legislação e nas decisões citadas. Não substitui a análise individual do seu caso. O SOS Justiça é uma empresa de serviços e não presta serviços de advocacia. Dúvidas: WhatsApp (35) 99713-0729 ou contato@sosjustica.com.br.
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